No laboratório da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Singapura, dezenas de baratas-de-madagascar foram equipadas com mochilas robóticas e novas carruagens para cumprir missões de inspeção em espaços apertados.

Pesquisadores transformaram esses insetos em plataformas móveis, com câmera, lanterna e bateria maior, para que percorram tubulações subterrâneas e registrem danos e vazamentos em infraestrutura antiga.

O desenvolvimento parte do trabalho do professor Hirotaka Sato e da equipe da NTU, que já utilizou as baratas em operações de busca e resgate, conforme informação divulgada pela Universidade Tecnológica de Nanyang.

Como funciona a barata ciborgue

A barata ciborgue recebe um dispositivo fixado nas costas que envia pequenos sinais elétricos ao sistema nervoso, para fazê-la mudar de direção, e uma placa de circuito permite controle remoto das trajetórias.

Em demonstrações, um assistente guia o inseto com um controle portátil, similar a um console antigo, e a equipe afirma que os pulsos não causam dor ao animal.

O modelo mais recente, diz o pesquisador, usa 25% menos voltagem do que as versões anteriores, o que melhora o bem-estar dos insetos e aumenta a autonomia das baterias.

Testes em desastres e a nova missão em dutos

As baratas ciborgues já foram empregadas em cenários de desastre, após o terremoto de magnitude 7,7 em Mianmar, que matou mais de 3.300 pessoas, quando dez ciborgues foram implantados para busca e resgate, mas os dez ciborgues implantados em Mianmar não conseguiram localizar sobreviventes (por meio das câmeras infravermelhas que carregavam).

Agora, o foco mudou para aplicações mais corriqueiras, como a inspeção de dutos e redes subterrâneas. Em vez de mochilas, os novos dispositivos parecem minicarruagens, com roda e plataforma que a barata puxa, levando câmera, lanterna e bateria maior.

A equipe da NTU também automatizou o processo de montagem dos dispositivos, reduzindo o tempo de fusão das peças às costas da barata para pouco mais de 60 segundos, quando o método manual anterior levava cerca de uma hora.

Vantagens, escalabilidade e controvérsias

Uma vantagem destacada é a agilidade natural dos insetos, que evoluíram para rastejar por espaços muito estreitos, assim sendo ideais para penetrar em dutos e fendas onde robôs tradicionais têm dificuldade.

Sato afirma que enxames podem ser mais eficazes, e que Sato diz acreditar que funcionarão melhor em números maiores, sobretudo após a automação do processo de montagem.

Há também preocupações sobre usos militares, e startups estrangeiras já anunciaram mochilas para baratas com fins de reconhecimento, mas em Singapura, segundo Sato, as baratas são “apenas para fins pacíficos“.

O que esperar nos próximos passos

Os próximos testes devem ocorrer no sistema de transporte de Singapura, com as baratas percorrendo quilômetros de tubulações, capturando imagens e detectando vazamentos, antes de expandir para outras cidades com infraestrutura envelhecida.

Ao final das missões, os pesquisadores dizem que as baratas podem ser aposentadas, vivenciando o resto de suas vidas em recipientes abastecidos diariamente com folhas frescas de alface, e a equipe imagina adoção mais ampla da tecnologia em países com redes antigas.

Com soluções que combinam baixo consumo de energia e a capacidade de alcançar locais inacessíveis, a barata ciborgue surge como uma alternativa prática para monitoramento e manutenção preventiva de dutos e tubulações.

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