O Homem que Disse Não à Nintendo
A história da Nintendo é repleta de momentos marcantes, mas poucos são tão curiosos quanto o desenvolvimento de Super Mario Bros. 2. O que hoje é um dos jogos mais icônicos da franquia, teve uma trajetória incomum que envolveu uma recusa crucial por parte de um executivo da Nintendo of America, Howard Phillips.
Super Mario Bros. 2: Uma Sequência Desafiadora para o Japão
Após o sucesso estrondoso de Super Mario Bros. em 1985, a Nintendo acreditava que os jogadores japoneses desejavam um desafio ainda maior. Assim, em junho de 1986, o Japão recebeu Super Mario Bros. 2, uma versão significativamente mais difícil, com cogumelos que prejudicavam o jogador e um vilão inédito, Wart. O jogo foi desenvolvido para o Famicom Disk System, um periférico que utilizava disquetes em vez de cartuchos.
A Chegada da Versão Japonesa aos EUA e a Recusa de Phillips
A Nintendo enviou a versão japonesa de Super Mario Bros. 2 para sua filial nos Estados Unidos, visando o mercado que se recuperava da crise de games de 1983. No entanto, o jogo precisou passar pela aprovação de Minoru Arakawa, então presidente da Nintendo of America. Arakawa frequentemente buscava a opinião de Howard Phillips, que começou na empresa como gerente de expedição e se tornou uma figura influente, conhecido como “Game Master”.
Phillips, responsável por avaliar o fator diversão e a adequação dos jogos para o público norte-americano, testou Super Mario Bros. 2 no verão de 1986. Ele considerou o jogo punitivo, injusto e com muitos elementos reaproveitados do original. Além disso, a adaptação para cartucho seria demorada e o jogo poderia parecer defasado. Temendo a frustração dos jogadores, Phillips deu um parecer negativo.
O “Reskin” que Criou um Novo Clássico
Com a recusa de Phillips, a Nintendo precisou encontrar uma alternativa. A solução foi realizar um “reskin” do jogo japonês Doki Doki Panic, originalmente desenvolvido para um festival da Fuji Television. Essa nova versão, que manteve a mecânica de jogar vegetais e frutas nos inimigos, foi lançada nos EUA em 1988 como Super Mario Bros. 2. O jogo introduziu personagens como Shy Guy e Birdo e se tornou um sucesso, vendendo 7,46 milhões de unidades globalmente, o quarto maior sucesso do Nintendinho.
O Legado e o Destino de Howard Phillips
A decisão de Phillips influenciou a percepção da Nintendo sobre a tolerância do público americano a jogos extremamente difíceis, uma ideia que persistiu até a era do Super Nintendo. A versão original japonesa de Super Mario Bros. 2 eventualmente chegou aos Estados Unidos como Super Mario Bros.: The Lost Levels na coletânea Super Mario All-Stars. Howard Phillips permaneceu na Nintendo por uma década, deixando a empresa em 1991. Ele teve passagens posteriores por outras grandes empresas do setor, como LucasArts, THQ e Microsoft Game Studios.
Por que essa história importa?
A recusa de Howard Phillips demonstra a importância de entender o público-alvo e adaptar produtos para diferentes mercados. A decisão não apenas salvou Super Mario Bros. 2 de um possível fracasso nos EUA, mas também abriu caminho para uma nova direção criativa na franquia, introduzindo elementos e personagens que se tornariam queridos pelos fãs.
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