Déficit das estatais soma R$ 568 milhões em fevereiro, pressiona a dívida pública, e eleva incertezas sobre a trajetória fiscal e a resposta do Copom, com impacto na Selic
O pior resultado do mês veio das empresas estatais, que adicionaram mais pressão às finanças públicas ao somar R$ 568 milhões ao déficit de fevereiro.
No mesmo mês, estados e municípios fecharam com superávit, enquanto o governo federal enfrentou um rombo significativo que também elevou os juros nominais da dívida.
A combinação de juros, inflação e medidas de reestruturação em estatais cria um cenário fiscal mais tenso e traz dúvidas sobre a consolidação das contas públicas.
conforme informação divulgada pelo Banco Central
Resultado fiscal de fevereiro e números que explicam o rombo
Conforme o relatório de estatísticas fiscais do Banco Central, estados e municípios registraram um superávit de R$ 13,7 bilhões em fevereiro, enquanto o governo federal teve um déficit de R$ 29,5 bilhões.
As estatais, no entanto, somaram R$ 568 milhões a um rombo que já passa de R$ 10,5 bilhões nos últimos 12 meses, agravando o quadro fiscal do setor público.
O documento também aponta uma alta nos juros da dívida pública de R$ 6 bilhões no período, o que ampliou a conta do endividamento.
Impacto das estatais e o caso Correios
O agravamento ligado às estatais ocorre em meio às tentativas de reestruturação dos Correios, que anunciou medidas como a venda de imóveis, um plano de demissão voluntária e a instituição da jornada 12×36 em algumas funções.
Essas medidas visam reduzir custos, mas, no curto prazo, não evitam que as estatais pressionem o resultado fiscal, como mostrou o acréscimo de R$ 568 milhões ao déficit.
Dívida pública, porcentagens do PIB e o efeito da Selic
O relatório indica que a dívida pública líquida no setor público atingiu R$ 8,4 trilhões, o que equivale a 65,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
Na soma entre governo federal, Instituto Nacional do Seguro Social, estados e municípios, o montante foi de R$ 10,2 trilhões, ou 79,2% do PIB, números que reforçam a necessidade de atenção à trajetória fiscal.
O Banco Central observou que a inflação e a taxa básica de juros, a Selic, “se somaram ao endividamento” como fatores que agravaram o aumento dos juros nominais.
Déficit primário, déficit nominal e as preocupações do Copom
Nesta segunda-feira (30), o BC revelou um déficit primário de R$ 30 bilhões do governo federal em fevereiro, e, incluindo os juros, o déficit nominal foi de R$ 100,6 bilhões.
Ao justificar um corte mais tímido na Selic, de 0,25%, a ata do Comitê de Política Monetária mencionou o contexto global e também expressou preocupações internas, citando “incertezas sobre a estabilização da dívida pública” e o “esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal”.
Esses trechos reforçam que, além dos números imediatos, há riscos fiscais que podem influenciar decisões de política monetária e a confiança dos investidores.
O balanço de fevereiro mostra que, mesmo com superávit em níveis subnacionais, o déficit das estatais e o custo dos juros seguem como vetores centrais para a pressão sobre as contas públicas, exigindo monitoramento próximo das mudanças nas estatais e da condução da política econômica.



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