O confronto na região do Golfo se intensificou após um ataque atribuído a Israel a instalações em Teerã, com o Exército do país informando que havia detectado mísseis lançados do Irã e que seus sistemas de defesa estão operando para interceptar a ameaça.
Ao mesmo tempo, o presidente Donald Trump afirmou, a jornalistas a bordo do Air Force One, que “Acredito que vamos chegar a um acordo com eles, tenho bastante certeza (…) mas já tivemos uma mudança de regime”, e defendeu que as lideranças iranianas mudaram desde o início do conflito.
O episódio ocorre enquanto o Irã mantém o Estreito de Ormuz bloqueado e os preços do petróleo sobem de forma expressiva em mercados internacionais, conforme informação divulgada pela AFP e pelo Washington Post.
O ataque em Teerã e as reações
O Exército israelense informou que lançou um ataque contra uma área em Teerã ligada à produção de componentes essenciais para mísseis balísticos do Irã.
A Guarda Revolucionária do Irã respondeu afirmando que bombardeou com mísseis balísticos um complexo industrial no sul de Israel, em retaliação, e descreveu os ataques a centros industriais iranianos como justificativa para suas ações.
No primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro, os bombardeios de Israel e dos Estados Unidos mataram o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, que foi substituído por seu filho, Mojtaba Khamenei, informação que vem sendo citada nas análises sobre mudanças na liderança do Irã.
Declarações de Trump e negociações
Trump repetiu que acredita em um acordo com o Irã, e declarou aos jornalistas, “Estamos lidando com pessoas diferentes de quaisquer outras com as quais já se tenha lidado antes. É um grupo de pessoas totalmente diferente”.
O presidente também afirmou que o Irã permitirá o trânsito de 20 petroleiros pelo Estreito de Ormuz, trecho por onde circula cerca de 20% da produção mundial de petróleo, comentário que surge em meio ao bloqueio imposto pelo Irã desde o começo do conflito.
Impacto no mercado de petróleo e no sentimento público
Os mercados reagiram: o barril de petróleo West Texas Intermediate, referência americana, subia 3,23%, a 102,86 dólares, nas negociações do mercado asiático, enquanto o Brent do Mar do Norte avançava 2,95%, a 115,89 dólares.
O efeito do conflito é sentido por civis, como relatou à AFP uma iraniana de 62 anos, Farzaneh, que disse que “As pessoas acordam todos os dias preocupadas com um futuro incerto”, e lamentou que “ninguém deseja realmente a guerra”.
Operações militares, hipóteses de tropas e diplomacia regional
Especulações sobre a possível entrada de tropas americanas em território iraniano aumentaram, enquanto fontes do governo citadas pelo Washington Post indicam que o Pentágono se prepara para operações terrestres de várias semanas, não uma invasão em larga escala, mas incursões de forças especiais no Irã.
Publicamente, o chefe da diplomacia americana Marco Rubio descartou o envio massivo de tropas, lembrando que os objetivos podem ser alcançados sem operações terrestres, enquanto o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, advertiu que, segundo ele, “Nossos homens aguardam a chegada dos soldados americanos em terra para atacá-los e punir de uma vez por todas seus aliados regionais”.
Paralelamente, ministros das Relações Exteriores de Turquia, Paquistão, Egito e Arábia Saudita se reúnem em Islamabad, e o Paquistão se colocou disposto a mediar e sediar “conversas substanciais” entre Estados Unidos e Irã, segundo declaração do ministro Ishaq Dar.
Fronteiras do conflito e vítimas
Os confrontos se estendem para outros frontes. No Líbano, os ataques israelenses causaram 1.238 mortes desde o início da guerra em 2 de março, incluindo 124 crianças, de acordo com balanço divulgado sobre a região.
A Força Interina das Nações Unidas no Líbano, UNIFIL, anunciou a morte de um de seus soldados, um indonésio, depois que um projétil atingiu uma de suas posições no sul do país, um exemplo das consequências para forças internacionais no terreno.
Enquanto isso, navios e grupos anfíbios americanos foram deslocados para a região, e a diplomacia tenta, ainda que sob forte tensão, abrir caminhos para negociações e evitar uma escalada ainda maior.



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