Irã denuncia “ofensiva terrestre secreta” dos EUA enquanto negociações de paz avançam no Oriente Médio
O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, lançou uma grave acusação neste domingo (29), afirmando que os Estados Unidos estariam planejando secretamente uma ofensiva terrestre. Essa denúncia surge em um momento delicado, onde esforços diplomáticos buscam encerrar o conflito que eclodiu em 28 de fevereiro, após uma ofensiva conjunta de Israel e EUA contra o Irã.
A declaração de Ghalibaf, divulgada pela agência oficial de notícias Irna, contrasta com as mensagens públicas de diálogo e negociação que Washington tem enviado. Essa dualidade de ações, segundo o líder iraniano, revela uma estratégia oculta por parte dos americanos, que, ao mesmo tempo em que se apresentam como mediadores, preparam ações militares em solo iraniano.
A situação se agrava com a presença de um navio americano de assalto anfíbio na região, acompanhado por cerca de 3.500 fuzileiros navais e outros soldados. Esse contingente faz parte das operações do Comando Central das Forças Armadas americanas, que abrange todo o Oriente Médio e áreas adjacentes do Oceano Índico. Conforme informação divulgada pelo jornal Washington Post, que cita autoridades americanas sob anonimato, o Pentágono estaria se preparando para operações terrestres de curta duração, focadas em incursões por forças especiais em território iraniano, e não em uma invasão em larga escala.
Esforços diplomáticos e tensões militares em paralelo
Em meio a essas acusações, esforços diplomáticos continuam. Representantes da Turquia, Paquistão, Egito e Arábia Saudita se reúnem em Islamabad, capital paquistanesa, para discutir o conflito e buscar caminhos para a paz. No entanto, a guerra já demonstra seu impacto global, afetando a economia mundial e gerando crises energéticas.
A Guarda Revolucionária iraniana reivindicou ataques no sábado contra duas importantes fundições de alumínio no Bahrein e nos Emirados Árabes Unidos, alegando que as empresas Alba e Emirates Global Aluminium “desempenham um papel importante no abastecimento das indústrias militares do Exército americano”. Paralelamente, o Irã também tem sido alvo de bombardeios, com cinco mortes relatadas em um ataque ao porto de Bandar Jamir, próximo ao estratégico estreito de Hormuz.
Crise energética e ameaças regionais se intensificam
O bloqueio do estreito de Hormuz pelo Irã, por onde transitava um quinto do petróleo mundial, já causa uma crise energética global e riscos de desabastecimento, especialmente na Ásia. Governos ao redor do mundo implementam medidas de emergência para conter a escalada dos preços do combustível.
A situação pode se agravar com a possível entrada na guerra dos rebeldes houthis do Iêmen, aliados do Irã, que lançaram mísseis contra Israel. A partir de suas posições estratégicas, eles também podem obstruir a circulação no estreito de Bab el-Mandeb, um corredor marítimo crucial. A Guarda Revolucionária iraniana também ameaçou atacar campi universitários americanos no Oriente Médio, aumentando o nível de alerta na região.
Ataques e medo em Teerã
Em Israel, o exército reportou o lançamento de mísseis iranianos, pedindo à população que buscasse segurança. Kuwait e Emirados Árabes Unidos também relataram ataques com drones e mísseis. Em Teerã, moradores relataram ouvir explosões e ver fumaça no leste da capital, expressando um sentimento de impotência diante da guerra. “Estamos indefesos diante de um governo que mata, e também não queremos essa guerra. Só queremos uma vida normal”, disse uma artista de 32 anos à agência AFP.



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