Meta vaza dados sensíveis de funcionários e suspende monitoramento para IA

A Meta suspendeu por tempo indeterminado o Model Capability Initiative (MCI), programa interno que monitorava a atividade de seus funcionários para o treinamento de inteligência artificial, após uma falha de segurança expor dados confidenciais coletados de laptops corporativos para todo o quadro de colaboradores da empresa.

A Meta, empresa controladora de plataformas como Facebook e Instagram, suspendeu por tempo indeterminado um programa interno que monitorava a atividade de seus funcionários para treinar inteligência artificial. A decisão veio após uma falha de segurança expor dados confidenciais coletados de laptops corporativos para todo o quadro de colaboradores da empresa. O incidente, que representa um vazamento de dados da Meta, foi revelado na segunda-feira (22) por meio de um aviso de segurança interno.

O Vazamento de Dados e a Suspensão do Programa

O programa, conhecido como Model Capability Initiative (MCI), foi iniciado em abril deste ano com o objetivo de ensinar modelos de IA a utilizarem softwares da mesma forma que seres humanos. No entanto, uma falha de configuração no sistema Hive afetou cerca de 45 mil tabelas de dados.

Devido a um erro nas listas de controle de acesso (ACLs), qualquer funcionário da Meta obteve permissão para visualizar históricos de digitação, cliques de mouse, transcrições de áudio, dados de desempenho e capturas de tela dos computadores de colegas alocados nos Estados Unidos.

Em comunicado à imprensa internacional, Tracy Clayton, porta-voz da Meta, confirmou o congelamento da iniciativa e afirmou que a empresa está investigando a extensão do problema. O representante destacou que, até o momento, não há indícios de que os dados tenham sido acessados de forma indevida ou extraídos por terceiros externos antes da correção do erro de privilégios.

Resistência Interna e Crise na Divisão de IA

A brecha de segurança confirmou alertas emitidos pelos próprios funcionários antes da implementação do sistema. Em maio, mais de 1,6 mil colaboradores assinaram uma petição interna contra o monitoramento, argumentando que a centralização de registros comportamentais criava riscos regulatórios graves e vulnerabilidades para vazamentos em massa. Na ocasião, o CEO Mark Zuckerberg defendeu o projeto em reuniões internas, alegando que a coleta de dados de profissionais altamente qualificados era indispensável para criar modelos computacionais eficientes.

O diretor de tecnologia da companhia, Andrew Bosworth, admitiu internamente que a execução técnica do programa violou as diretrizes estabelecidas nas revisões de privacidade da própria empresa. Ele também teria afirmado em uma reunião interna recente que o clima na Meta era um dos piores dos 20 anos de companhia.

Este incidente aprofunda a instabilidade na divisão de inteligência artificial da Meta. Recentemente, a empresa demitiu 600 funcionários de sua divisão de IA devido ao inchaço de equipes e gargalos operacionais gerados pela disputa interna por infraestrutura de processamento (GPUs). Isso ocorre mesmo com a previsão de investimentos na área variando entre US$ 66 bilhões e US$ 72 bilhões para o ano corrente.

Este é o terceiro incidente de segurança cibernética relacionado a sistemas de inteligência artificial da Meta em menos de quatro meses. Em março de 2026, uma ferramenta de IA agêntica causou uma quebra de segurança ao executar ações autônomas não previstas. Já no início de junho, invasores exploraram falhas no chatbot de atendimento ao cliente da companhia para assumir o controle de contas comerciais na rede social Instagram.

A Meta continua investigando o incidente e as implicações para a privacidade de seus funcionários, enquanto a suspensão do programa MCI permanece por tempo indeterminado.

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3c

Autor do portal Upando Jogo.

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