Papa Francisco condena líderes que promovem guerras e declara que Deus ignora suas preces, em um momento de forte tensão global.
Em declarações de peso incomum, o Papa Francisco afirmou neste domingo (29) que Deus rejeita as orações de líderes que iniciam guerras e que possuem “mãos cheias de sangue”. As declarações foram feitas no mesmo dia em que o conflito no Irã entrava em seu segundo mês, intensificando a preocupação mundial.
Dirigindo-se a milhares de fiéis na Praça São Pedro, durante a celebração do Domingo de Ramos, o pontífice descreveu o conflito no Oriente Médio como “atroz” e ressaltou que Jesus Cristo não pode ser utilizado para justificar nenhuma guerra.
“Este é o nosso Deus: Jesus, rei da paz, que rejeita a guerra, a quem ninguém pode usar para justificar a guerra”, disse o Papa Francisco, o primeiro pontífice americano, em sua fala sob o sol do Vaticano. Conforme informação divulgada pelo Vaticano, ele citou uma passagem bíblica: “[Jesus] não ouve as orações daqueles que fazem guerra, mas as rejeita, dizendo: ‘Ainda que façais muitas orações, não as ouvirei: vossas mãos estão cheias de sangue'”.
Críticas à Guerra no Irã e Sofrimento dos Cristãos
Embora o Papa Francisco não tenha citado líderes mundiais especificamente, suas críticas à guerra no Irã têm se intensificado nas últimas semanas. Durante um apelo ao final da celebração, o pontífice expressou profunda tristeza pelo fato de os cristãos no Oriente Médio “estarem sofrendo as consequências de um conflito atroz” e pela possibilidade de não conseguirem celebrar a Páscoa.
Em Jerusalém, as restrições de aglomeração impostas pela guerra levaram a polícia a impedir a realização da missa de Domingo de Ramos na igreja do Santo Sepulcro, na Cidade Velha, conforme informou o patriarcado Latino da cidade santa. O patriarcado emitiu um comunicado afirmando que “este incidente constitui um grave precedente e demonstra uma falta de consideração com a sensibilidade de bilhões de pessoas em todo o mundo”.
O Papa e a Filosofia de Paz de Jesus
O Papa Francisco, conhecido por sua cautela ao escolher as palavras, tem reiterado pedidos por um cessar-fogo imediato no conflito. Na última segunda-feira (23), ele declarou que os ataques aéreos militares são indiscriminados e deveriam ser proibidos. Sua homilia neste domingo fez referência a uma passagem bíblica onde Jesus repreende um seguidor por usar a espada contra quem o prendia.
“[Jesus] não se armou, nem se defendeu, nem travou nenhuma guerra”, disse o Papa. “Ele revelou a face gentil de Deus, que sempre rejeita a violência. Em vez de salvar a si mesmo, permitiu ser pregado na cruz.” Essa postura reforça a mensagem de paz e a rejeição à violência que o pontífice busca transmitir.
Justificativas Religiosas para a Guerra e o Papel dos EUA
Por outro lado, autoridades do governo de Donald Trump e seus aliados têm invocado a linguagem cristã e a perspectiva de uma “guerra santa” para justificar os ataques conjuntos dos EUA e de Israel ao Irã, iniciados em 28 de fevereiro. O Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, tem liderado cultos de oração no Pentágono, pedindo “violência avassaladora de ação contra aqueles que não merecem misericórdia”.
O vice-presidente J. D. Vance, católico e próximo da base mais radical de apoio a Trump, também falou sob essa perspectiva, ligando a luta das tropas americanas à Semana Santa. Ele pediu apoio às tropas, mencionando que estão “lutando em um momento em que estão prestes a entrar, como cristãos, na semana mais importante do calendário cristão”.



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