Trump afirma que Washington arca com grande parte dos custos da aliança, e falta de apoio europeu em operações contra o Irã reacende debate sobre uma possível Otan sem EUA
O presidente Donald Trump questionou a permanência dos Estados Unidos na Otan após críticas aos aliados europeus por não apoiarem operações militares americanas e israelenses contra o Irã.
O secretário de Estado Marco Rubio reforçou o tom, ao classificar como “muito decepcionante” a recusa de países da aliança em permitir o uso de bases e espaço aéreo pelos EUA durante o conflito.
As declarações e os episódios recentes colocam em discussão se uma Otan sem EUA seria sustentável, e quais seriam as consequências políticas e militares dessa ruptura, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que o governo Trump ameaça sair da aliança
Na avaliação de Washington, os Estados Unidos não estariam recebendo contrapartidas proporcionais ao peso que têm dentro da aliança militar ocidental.
Em discurso na sexta-feira, Trump afirmou, textualmente, “Gastamos centenas de bilhões de dólares por ano protegendo eles […] mas agora […] acho que não precisamos estar [mais na Otan]“, para questionar o custo-benefício da presença americana na organização.
O incômodo aumentou depois que potências europeias recusaram participar de uma coalizão liderada pelos EUA para reabrir o Estreito de Ormuz, um ponto estratégico para o transporte global de petróleo, e preferiram contribuir sem envolvimento ofensivo.
O papel das recusas europeias e o caso Espanha
Países membros da Otan, especialmente na Europa, evitam envolvimento direto no conflito, argumentando que o tratado prevê atuação coletiva apenas em caso de ataque direto a um membro, cenário que não foi formalmente reconhecido.
Nos bastidores, aliados dizem que a operação contra o Irã não foi previamente coordenada com parceiros, o que aumentou a resistência europeia em aderir à ofensiva.
A Espanha se tornou um ponto de atrito ao impedir o uso do seu território e espaço aéreo, fechando o espaço para voos militares dos EUA e proibindo o uso das bases de Rota e Morón nas operações americanas e israelenses.
As medidas do governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez receberam críticas duras da Casa Branca, que chegou a ameaçar aplicar sanções comerciais, e ampliaram as queixas de Trump sobre aliados que, segundo ele, “não fizeram absolutamente nada” para ajudar os EUA e Israel.
Declarações internas e o argumento do governo americano
Marco Rubio, em entrevista à Al Jazeera, disse que a negativa de países como a Espanha em autorizar o uso de bases “muito decepcionante” levantou dúvidas sobre os benefícios práticos de manter o compromisso com a aliança.
Rubio declarou ainda que “Se a Otan serve apenas para que os Estados Unidos defendam a Europa, mas nos nega direitos de utilização de bases quando precisamos, esse não é um arranjo muito bom“, e que a relação com a aliança “terá de ser reexaminada” após o fim da operação militar em curso no Oriente Médio.
Na última semana, Trump também publicou nas redes sociais que os Estados Unidos “nunca se esquecerão” da falta de apoio e afirmou que os aliados seriam lembrados por essa postura.
Impacto para a Otan e o que vem a seguir
As ameaças de Washington ocorrem enquanto a aliança tenta manter coesão interna. O secretariado da organização, segundo a cobertura, afirmou que o bloco segue fortalecido e destacou aumento de investimentos em defesa por parte dos europeus, impulsionado pela pressão americana.
O secretário-geral da Otan, citado na informação, disse que mais de 30 países se comprometeram a discutir medidas para garantir a reabertura do Estreito de Ormuz, incluindo parceiros fora da aliança, mas não há definição clara sobre participação militar direta da Otan nessas ações.
Se a crise evoluir, as opções no curto prazo incluem pressão diplomática, ofertas de medidas de segurança não ofensivas para os europeus, e revisão das bases de cooperação logística, mas o futuro de uma Otan sem EUA permanece uma hipótese de alto impacto geopolítico.
As próximas semanas serão decisivas para saber se as ameaças de retirada se traduzirão em mudanças reais na postura americana, ou se acordos e garantias devolverão estabilidade à aliança.



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